terça-feira, 11 de abril de 2017

Na seca, cidades baianas vão reduzir até 60% dos gastos com o São João

A seca na Bahia não está prejudicando apenas agricultores que dependem da água da chuva para tirar o sustento. Com mais de 200 municípios e cerca de 4 milhões de pessoas afetadas, a estiagem que atinge o estado, considerada a pior dos últimos 100 anos, ameaça os festejos juninos de muitas cidades que têm neles a principal manifestação popular. O CORREIO ouviu oito das dez cidades mais atingidas pela seca e, ao que tudo indica, a contenção de despesas é quem ditará o ritmo do arrasta-pé.

Em Tucano, no Nordeste do estado, o orçamento do São João sofrerá uma redução de mais de 60% em relação às edições anteriores. De acordo com o secretário de Governo, Clériston Oliveira, este ano serão gastos, no máximo, R$ 400 mil no arraiá de Caldas Quentes, o mais tradicional da cidade e que acontece no distrito de Caldas do Jorro.

“Ano passado e em 2015, investimos cerca de R$ 1 milhão e a festa durou quatro dias. Em outros anos, o nosso São João já chegou a ter cinco dias, mas agora, por conta da seca, tivemos que reduzir tudo”, afirma. Dos três dias de festa, apenas dois serão abertos ao público – o terceiro será privado. Há a expectativa, ainda, da realização de uma festa no distrito de Creguenhem, em 13 de junho, e outra em Poço Redondo, no dia 29. Segundo o secretário, porém, nenhuma das duas está confirmada.

A tendência também será seguida por Anguera, no Centro-Norte baiano. O secretário de Cultura, Esporte e Lazer da cidade, Gilson Ferreira, disse que não é de hoje que a crise vem dando seus passinhos no arrasta-pé.

“Nosso São João sempre teve atrações de nível nacional, como Magníficos, Alcimar Monteiro, mas no ano passado já não foi assim”, diz. O secretario afirmou ainda que o São João será modesto porque a administração está cortando gastos para equilibrar as contas públicas. Ferreira disse que os investimentos deverão girar em torno dos R$ 100 mil.

Festas privadas

Enquanto as prefeituras estão se virando para equilibrar as contas do arraiá, as festas privadas estão confirmadas neste São João, mas elas também podem ser afetadas pela crise. Paulo de Carvalho Lima Júnior, organizador do Forró do Sfrega, que acontece desde o ano 2000 em Senhor do Bonfim, comenta que a circulação de pessoas na cidade diminuiu. “Caso não chova, poderemos ter uma redução de público de até 10%”, afirmou ele. O município está na lista dos que decretaram estado de calamidade pública.

Até agora, ele contou que já vendeu “uma boa quantidade de ingressos” e que tudo está correndo conforme o planejado. Com grandes atrações, esses eventos costuma reunir pessoas de diferentes cidades e até de outros estados. O público chega atraído por ritmos diversos além do tradicional forró pé de serra.

A diretora da agência especializada em turismo e eventos Veromundo, Léa Souza, diz que, historicamente, as festas de camisa mais procuradas pelos soteropolitanos são o Forró do Piu Piu, o Forró do Lago, o Tico Mia e o Brega Light. Ela destaca ainda o Forró do Sfrega e o Forró Coffee, que é no dia 1º de julho.

Para o organizador do Forró do Bosque, que este ano chega a sua 15ª edição, a cidade de Cruz das Almas, onde acontece a festa, abraçou o evento, que será no dia 23 de junho. “Na quarta-feira (5), já viramos o lote de ingressos, a cidade está respirando a festa”, disse Antônio Ribeiro dos Santos Filho, o Dola. As atrações deste ano são Ivete Sangalo, Léo Santana e Henrique & Juliano.

Dola disse ainda que ficou três anos sem realizar o evento porque vinha levando prejuízo por falta de público. “Já há alguns anos que a gente vinha notando a falta de público. Essa crise não começou agora. Então, resolvemos parar por um tempo e este ano voltamos com tudo.” (Correio24h)

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