quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Delegado pede reconstituição da morte do bebê que envolve os próprios pais em Prado

Foram presos na cidade de Itamaraju na tarde desta quarta-feira (09/11), o representante comercial Jorge Mendes Carneiro Junior, 41 anos e a sua esposa Erisângela Santos Silva, 38 anos. O casal foi preso por força de um mandado de prisão temporária decretado pelo juiz Leonardo Santos Vieira Coelho, da comarca de Prado, que atendeu uma representação do delegado Júlio César Teles, presidente do inquérito policial que apura a morte do bebê Pedro Silva Carneiro, de 9 meses de idade, filho do casal preso.

Na tarde de sábado do último dia 29 de outubro, o casal apresentou à Unidade de Pronto Atendimento da cidade de Prado, o corpo do filho, alegando que ele havia caído da porta traseira da caminhonete, após o bebê ter destravado o cinto do “bebê conforto” e depois aberto a porta traseira da Caminhonete Hilux e mesmo contra o vento, teria conseguido sair do veiculo e caído sobre a rodagem de chão entre a Praia da Paixão e a cidade do Prado.

O delegado Júlio César Telles, que investiga o caso, logo detectou uma série de contradições entre as alegações do pai e da mãe do bebê e passou a ouvir pessoas que acompanharam o procedimento de atendimento da criança, que chegou à UPA já em óbito. Uma testemunha na Praia da Paixão viu quando o casal embarcou no final da tarde para ir embora e a mãe teria ajoelhado para afivelar a criança no “Bebê Conforto” bem no meio da poltrona traseira.

Logo o delegado detectou algumas coincidências que não bateram com o depoimento do casal. Para ele, não seria possível um bebê de apenas 9 meses, conseguir se destravar da cadeirinha, destravar o carro e empurrar a porta de uma caminhonete contra o vento para pular do veículo. Outro fato que intrigou o delegado Júlio Teles foi o resultado do laudo médico legal, que não constatou nenhum arranhão ou qualquer outra escoriação em nenhuma parte do corpo do bebê, o que descaracterizou totalmente que ele tenha caído do veículo.

Contudo, as médicas legistas descreveram que a criança morreu por violento traumatismo crânio-encefálico, após receber sequentes pancadas unicamente na cabeça, ao ponto de coagular todo o seu cérebro. Dando conta, que a criança sofreu um violento ataque na cabeça causado por agressão física externa. Portanto, a lesão interna que causou a morte da criança é incompatível para quem tenha caído de um veículo em movimento.

O que motivou o delegado Júlio Telles a solicitar a prisão do casal e que serviu para convencer o juiz a decretar a referida prisão temporária, estão detalhes contraditórios e subsídios essenciais encontrados durante a investigação, que o delegado prefere não revelar antes da conclusão do caso. A mãe da vítima, Erisângela Santos Silva, 38 anos, é natural de Itamaraju e filha de uma família tradicional da cidade. Já o pai da vítima, o representante comercial Jorge Mendes Carneiro Junior, 41 anos, é natural de Brasília-DF., e atualmente residia com a mulher e o filho na cidade de São Félix do Coribe, na região do extremo oeste da Bahia.

A contribuição dos policiais civis da Delegacia da cidade de São Félix do Coribe, foi essencial para o delegado conhecer o comportamento dos pais e promover as ligações dos fatos. Na madrugada de domingo do dia 28 de agosto, um fato parecido havia ocorrido no interior da casa do casal em São Félix do Coribe. Jorge teria arremessado o seu próprio filho, na época com 7 meses de idade, contra a sua esposa após uma briga do casal motivada pela descoberta de uma traição do marido, resultando no atendimento do bebê numa unidade hospitalar daquela região.

Na época ela relatou tais fatos à Polícia Civil e pediu proteção para as autoridades com medo que o marido fizesse algo de mais violento com ela ou com algum familiar seu, como lhe jurava, caso ela o denunciasse à polícia. Alegou que o marido era violento e que vivia ameaçando matar a criança, sob a confissão, “se teria coragem de matar o próprio filho, imagine ela e seus familiares”.

O objetivo do delegado Júlio Telles em manter o casal preso nestes próximos 30 dias é para que as apurações ocorram sem sofrer nenhuma influência dos dois, que em nenhum momento demonstraram sentimento real pela perda do filho e sim, a constante preocupação com os resultados das investigações. Após ter sido preso em Itamaraju, o casal foi recambiado para custódia da 8ª Coordenadoria Regional da Polícia Civil em Teixeira de Freitas. Tanto ele, quanto ela, apenas disseram que são inocentes e como se não bastante a dor da perda do filho, ainda estão sendo injustiçados.

O delegado Júlio Telles, da Polícia Civil de Prado, informou que o carro do casal vai permanecer apreendido e que já solicitou ao Departamento de Polícia Técnica de Teixeira de Freitas, a promoção de uma reprodução simulada no local em que o casal aponta como ponto da estrada que tenha ocorrido o incidente fatal com a criança. Para ele, a reconstituição será o seu último passo para fechar o caso e definir se houve incidente ou um crime de morte com graves qualificadoras. (Por Athylla Borborema).

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