terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Termina sem acordo reunião entre associações da PM e governo



 
Arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, também participou do encontro
Terminou sem acordo a reunião entre associações da Polícia Militar e representantes do governo estadual realizada nesta terça-feira (7). O encontro começou às 10h, na residência episcopal do arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, e terminou por volta de 17h.
O governador Jaques Wagner disse, na manhã desta terça-feira (7), acreditar que esta reunião poderia ser o fim do greve parcial de PMs. "Iniciamos um processo de negociação. Nós fizemos uma proposta que eu considero bastante razoável e é com base nisso que estou fazendo essa aposta", explicou o governador.
O que teria impedido o fim da greve foi a data de pagamento da Gratificação por Atividade Policial (GAP) IV. As associações queriam que o pagamento fosse realizado em 2012, mas o governador diz que só pode começar a pagar a GAP IV a partir de 2013.
Segundo a TV Bahia, na reunião, houve avanço em três pontos. Ficou decidido que os 12 PMs que tiveram a prisão decretada não irão para presídios federais, aqueles que participaram da greve de forma pacífica não serão punidos, e os policiais que cometeram atos de vandalismo durante a paralisação responderão a processos administrativos.
Agora, as associações vão apresentar à categoria as propostas discutidas na reunião. A Associação de Policiais e Bombeiros do Estado da Bahia (Aspra), que decretou greve por tempo indeterminado em assembléia no último dia 31, não participou da reunião.
Além de Dom Murido Krieger, participaram da reunião o secretário da Casa Civil, Rui Costa, o presidente da OAB da Bahia, Saul Quadros, o secretário da Administração do Estado, Manoel Vitório, o comandante geral da PM, coronel Alfredo Castro, e representantes de cinco associações ligadas à PM.
Impasse
“Nós, ao longo de cinco anos, concedemos 30% de aumento real. E eu tenho limite na folha. As negociações são em torno desse valor, da chamada GAP IV, e eventualmente até da GAP V, mas evidentemente isso terá que ser partilhado ao longo de 2013, 2014 e até 2015. Se for para pagar alguma coisa imediatamente agora, não há menor espaço, porque eu não tenho espaço fiscal para fazê-lo", afirmou o governador.
Os grevistas recusam a proposta de reajuste oferecida pelo governo de 6,5% reatroativo ao mês de janeiro. Além do aumento salarial, a categoria reivindica o pagamento da GAP IV e V, e a regulamentação do pagamento de auxílio acidente, insalubridade e periculosidade.
Os grevistas também pedem anistia administrativa e revogação das prisões dos 12 líderes do movimento.  Tropas do Exército mantém cordão de isolamento em torno do prédio da Assembléia
Assembléia cercada
Cerca de 600 homens do Exército e 40 agentes do Comando de Operações Táticas (COT) cercam a Assembléia Legislativa desde a manhã de segunda-feira (6) para cumprir os 11 mandados de prisão contra policiais e bombeiros que estão acampados no prédio. Um policial militar foi baleado no confronto.
Nesta terça-feira, o general da 6ª Região Militar permitiu a entrega de alimentos e material de higiene para os policiais militares que estão acampados no prédio da Assembléia Legislativa. Segundo oficial de Comunicação, Mário Cunha, a entrega de alimentos foi permitida por conta do avanço das negociações para o fim da greve.
Por volta das 10h, soldados do Exército que fazem o cordão de isolamento em torno do prédio da Assembléia permitiram que manifestantes jogassem sacolas com alimentos, papel higiênico e água. Três policiais militares que estavam acampados deixaram o prédio, um deles saiu da Assembléia ainda na madrugada. Antes da saída dos PMS, soldados do Exército checaram se havia pedido de prisão expedido em nome deles.

Valmir faz apelo pelo diálogo para acabar greve na PM/BA


O deputado federal Valmir Assunção (PT-BA) disse que é contra qualquer medida radical para acabar com a greve da Polícia Militar na Bahia Polícia Militar do Estado da Bahia, que se arrastara por quase uma semana. Em pronunciamento ontem (6) na Câmara Federal, em Brasília, ele disse que “neste momento em Salvador não cabe radicalismo de ambas as partes, nem por parte do Estado, nem por parte dos grevistas.
“O fundamental é construir, numa mesa de negociação, a solução para que a Polícia e o Governo saiam fortalecidos, mas que o povo da Bahia saia ganhando”, afirmou.
Ainda segundo o deputado, a Polícia Militar sempre foi séria e a população baiana se orgulha dessa instituição, não podendo esta ser pautada pelos grevistas que tentam de todas as formas fazer prevalecer a sua vontade sobre a do Estado de Direito.
“Faço um apelo aos órgãos de segurança pública que estão comandando a operação hoje no Estado da Bahia, ao nosso Governador Jaques Wagner e aos líderes da greve, para que sentem e negociem. É na mesa de negociação que se resolve qualquer greve, em qualquer crise.
 O radicalismo não vai levar a lugar algum. É preciso negociar”, disse.